A evocação dos 160 anos do nascimento de Gonçalo Sampaio realizou-se na manhã de sábado, 29 de março, no Centro de Interpretação do Carvalho de Calvos.
Para o Presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso, Frederico Castro, este foi um momento muito importante para a comunidade. “A nossa expectativa é que daqui a 50, 100 anos, ou 160 anos, tenhamos pessoas a olhar pelo trabalho que foi desenvolvido por Gonçalo Sampaio aqui na Póvoa de Lanhoso e não só, porque é um homem que deixou uma marca muito forte e que orgulha o concelho da Póvoa de Lanhoso e deve orgulhar todos os Povoenses. Por isso, este dia é especialmente importante…”, destacou.
Aludindo às diversas facetas de Gonçalo Sampaio, Frederico Castro, sublinhou as suas facetas de professor, botânico e etnólogo, e destacou o trabalho de pessoas e entidades para perpetuar o seu nome, como, desde logo, o Agrupamento de Escolas Gonçalo Sampaio, o Grupo de Cantares do Cancioneiro Minhoto e até o Jardim do Professor, que lhe é dedicado, na Vila Povoense. “Vivemos uma época diferente daquela em que ele viveu, aquilo que sabemos do Gonçalo Sampaio foi o que aprendemos, o que estudámos, o que lemos, o que nos transmitiram e é muito importante este dia e este momento, porque há pessoas que deixaram uma marca muito forte na nossa comunidade e essa marca precisa de ser preservada e deve ser evidenciada ao longo do tempo e transmitida às próximas gerações”, referiu, de entre outras considerações Frederico Castro.
Participaram nesta homenagem os Vereadores do Executivo Municipal Fátima Moreira, Paulo Gago e Ricardo Alves; a Diretora do Agrupamento de Escolas Gonçalo Sampaio, Luísa Rodrigues; e ainda pessoas convidadas, de todas as idades, que, nas palavras de Frederico Castro, são “familiares e amigos de Gonçalo Sampaio”.
Já a Diretora do Agrupamento de Escolas Gonçalo Sampaio, Luísa Rodrigues, destacou que o Agrupamento de Escolas, convidado a associar-se a esta comemoração, assumiu os ensinamentos que notabilizaram este Povoense. Salientou a criação de um Bosquete nas instalações da escola básica Gonçalo Sampaio, onde funciona atualmente o Clube Ciência Viva na Escola, e que levou ao desenvolvimento de um ecossistema em que se fixou uma quantidade significativa de espécies; e a criação do grupo Artemanias, com enfoque no grupo de cantares e no grupo de cavaquinhos, em que o reportório do Cancioneiro Minhoto era privilegiado. “Incutir nos alunos, ao longo de décadas, a preocupação com a preservação da natureza e o amor pela música, concomitantemente com o desenvolvimento de valores, tem sido uma preocupação constante de que se pode justamente concluir que mantivemos vivo o legado do nosso patrono, o Professor Gonçalo Sampaio”, referiu esta responsável, que ofereceu à Câmara Municipal uma medalha do patrono. “Felicito a Câmara Municipal pela iniciativa, porque defendo, convictamente, que a história se faz com as pessoas e que um povo sem história é um povo sem identidade. Reconhecer aqueles que contribuíram para escrever a nossa historia é o garante de que preservaremos a nossa identidade”, afirmou ainda.
São diversos os grupos atualmente existentes que perpetuam o nome Gonçalo Sampaio e mantêm vivo o legado do seu patrono, ligados ao folclore e aos cavaquinhos, por exemplo.
O programa envolveu a participação de representantes e crianças do Agrupamento de Escolas Gonçalo Sampaio e também dos elementos do Grupo de Cantares do Cancioneiro Minhoto, que apresentaram músicas populares e tradicionais do Minho compiladas por Gonçalo Sampaio. Já os/as estudantes do Agrupamento de Escolas Gonçalo Sampaio procederam à plantação de seis exemplares arbóreos, no parque do Centro de Interpretação do Carvalho de Calvos, onde habita o ex libris ambiental da Póvoa de Lanhoso. A homenagem englobou ainda a plantação de um Quercus rubor, a mesma espécie do Carvalho Centenário, e o descerrar de uma placa comemorativa da data que se assinalou em 2025.
Natural de Calvos, o Professor Gonçalo Sampaio foi, de entre outras facetas conhecidas, investigador e botânico e, por essa razão, esta evocação foi também a forma de concluir a iniciativa Março Verde, promovida pela Câmara Municipal.
Esta campanha permitiu a plantação de mil árvores de espécies autóctones e nativas, que reflorestaram um terreno com mais de um hectare, localizado na freguesia de Galegos, devastado, há anos, pelos fogos florestais. Tal só foi possível devido às parcerias criadas e ao empenho efetivo da população local, que aderiu ao repto de participar na reflorestação, desde crianças de escolas, jovens estudantes e seniores, passando pelas pessoas voluntárias, da comunidade e da autarquia.