Autarquia da Póvoa de Lanhoso ofereceu formação de Língua Gestual Portuguesa
Cerca de 20 pessoas receberam ontem, 26 de junho, os certificados de participação na formação em Língua Gestual Portuguesa, que a Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso promoveu com o apoio do INR (Instituto Nacional para a Reabilitação). Desta forma, algum pessoal técnico da Autarquia já adquiriu competências básicas, que permitem acolher com mais qualidade a comunidade surda.
A sessão realizou-se no Salão Nobre dos Paços do Concelho, na presença da Vice-Presidente da Câmara Municipal, Fátima Moreira, da coordenadora do Plano Municipal para a Igualdade de Género e de Oportunidades, Carla Melo, e, online, de uma representante do INR, Fátima Alves, bem como do formador, Ângelo Costa.
“Podemos comunicar de forma melhor, de forma inclusiva, porque, quando falamos de inclusão e de deixar que a mensagem passe para todos e para todas, estamos a falar também de igualdade e de direitos humanos. Temos de olhar para as minorias nos direitos que lhes assistem”, começou por referir a representante da Autarquia, Fátima Moreira, que também tutela o Pelouro da Promoção da Igualdade. “Enquanto entidade pública, temos o dever de melhorar os nossos recursos e a forma como comunicamos com essa comunidade”, considerou ainda, desafiando a que as pessoas participantes deem continuidade a esta aprendizagem e utilizem este novo recurso em favor da comunidade. “Temos de ser uma Autarquia que dá passos seguros e que se afirma pela diferença. Ainda somos poucos/as, mas já somos alguns/as e vamos lançar esta semente com muita firmeza e, com certeza, ela vai germinar”, sustentou ainda Fátima Moreira, revelando que a própria Autarquia fará a sua parte e continuará a rodear-se de entidades parceiras, como o INH “e outras tão fundamentais, que têm sido importantíssimas naquilo que temos conseguido fazer”.
Concluíram esta formação 20 pessoas, de entre pessoal da Autarquia e pessoal técnico de entidades com intervenção social e na área da saúde. Dada a enorme adesão ao desafio de participar nesta formação, houve necessidade de realizar uma triagem, constituindo-se um grupo com 24 pessoas.
A técnica do Município, Filipa Araújo, explicou as suas motivações. “Quando me desafiei a iniciar a formação, foi no sentido de saber a comunicação básica, para conseguir interagir com alguém com uma limitação de comunicação como a surdez. Trabalho no Centro de Interpretação do Carvalho de Calvos, onde recebemos pessoas e não sabemos quem está do outro lado. Saber cumprimentar para mim era o mínimo, para saber acolher”. Da parte da Unidade de Cuidados na Comunidade Coração do Minho, Fátima Lopes, considerou uma mais valia a aprendizagem de Língua Gestual Portuguesa. “E o que fica é enriquecedor, nem que seja para sensibilizar e percebermos esta diferença e dificuldade. Percebi melhor, através desta formação, a importância da Língua para podermos comunicar entre nós, até para o próprio desenvolvimento de uma pessoa, de uma criança. E a importância de associar um nome a um gesto. Não tinha noção até à formação”, confidenciou.
De lembrar que, como forma de assinalar o Dia Municipal para a Igualdade (24 de outubro), a Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso anunciou a dinamização de uma formação gratuita em Língua Gestual Portuguesa, direcionada sobretudo para profissionais com funções de atendimento ao público ou de apoio social, de forma a capacitar estas pessoas para a comunicação com a comunidade surda.