Filigrana ganha novo futuro na Póvoa de Lanhoso em dia histórico para o concelho
“A filigrana, para a Póvoa de Lanhoso, é algo de muito especial e muito diferente, porque faz parte do nosso ADN” — destacou o Presidente do Município na inauguração da Extensão do Centro de Competências da Filigrana – polo CINDOR
O Theatro Club acolheu a cerimónia de inauguração da Extensão do Centro de Competências da Filigrana – CINDOR, que contou com a presença de várias individualidades de relevância no setor da ourivesaria e da filigrana, quer a nível local, quer regional e nacional. A sessão contou ainda com uma forte presença de artesãos e empresários povoenses.
Estiveram presentes o Presidente da Câmara Municipal e o Presidente da Assembleia Municipal, António Queirós Pereira. Pelo Município marcaram também presença a Vereadora da Educação e Formação, Fátima Moreira, os Vereadores Paulo Gago e Gilberto Anjos, bem como elementos do Gabinete de Apoio à Presidência.
O setor institucional esteve amplamente representado pela Contrastaria do Porto e pela Delegação de Gondomar, através do Diretor Paulo Mesquita; pela Associação de Ourivesaria e Relojoaria de Portugal (AORP), representada pelo seu Presidente, João Faria; e pelo CINDOR, através de Domingos Valente Carvalho, Presidente do Conselho de Administração. Marcaram também presença Teresa Costa (Diretora da A.Certifica), Graça Ramos (Presidente da Associação Portugal à Mão), António Quaresma (Presidente do Grupo Valor do Tempo) e Sandra Almeida (Presidente da Alma do Fio).
As autarquias de Gondomar e de Viana do Castelo fizeram-se representar por Aurora Vieira e Manuel Vitorino, respetivamente.
Este evento assinala um avanço crucial para o fortalecimento da Arte da Filigrana, para a sua afirmação como património cultural e como fator de desenvolvimento económico e social da Póvoa de Lanhoso.
O novo espaço assumirá uma tripla função: será a Extensão do Centro de Competências da Filigrana, o novo polo do CINDOR na Póvoa de Lanhoso e incluirá ainda uma área para entrega e recolha de obras a intervencionar pelos Serviços da Contrastaria Portuguesa da Imprensa Nacional Casa da Moeda.
A parceria entre o Município, o CINDOR e a AORP, firmada em julho do ano passado, será reforçada com a entrada da Imprensa Nacional Casa da Moeda (INCM), através da assinatura de um novo protocolo. Este compromisso, que será assinado em breve, contribuirá para valorizar a filigrana através do esforço conjunto e sinérgico destas entidades.
Parcerias Estratégicas
Paulo Mesquita, Diretor da Contrastaria do Porto e da Delegação de Gondomar, enalteceu a criação deste centro, sublinhando que será um motor de dinamização para a filigrana. Esta iniciativa representa “um passo importante no reforço da cooperação entre a Autarquia, os produtores locais e a Contrastaria Portuguesa”.
Paulo Mesquita destacou ainda que a nova estrutura permitirá tornar todo o processo “mais ágil e eficiente”, aproximando a instituição dos artesãos da Póvoa de Lanhoso e contribuindo, desta forma, para aumentar a competitividade e valorizar a ourivesaria nacional.
Da AORP, João Faria, na qualidade de Presidente desta associação, destacou o momento como um sinal de “maturidade, visão e confiança no futuro”. Acrescentou que a filigrana é uma arte feita de mãos que aprendem e ensinam, sendo este novo centro o lugar onde o conhecimento tradicional dialoga com a criatividade.
“Este investimento reforça o papel da Póvoa de Lanhoso como um território de enorme importância, garantindo que a técnica se mantenha viva e relevante para as próximas gerações”, afirmou, sublinhando que a formação é a única forma de responder à crescente procura do mercado global.
Domingos Valente Carvalho, Presidente do Conselho de Administração do CINDOR, classificou a inauguração como um passo “estruturante e profundamente significativo”. Sublinhou que o polo materializa a visão de aproximar a formação dos territórios e das suas necessidades reais, garantindo a renovação geracional deste património vivo.
“Este é um investimento de futuro para o setor e para o país”, afirmou, agradecendo ao Município pela “parceria de ouro” que permitiu concretizar o projeto com rapidez e robustez.
Compromisso com Raízes e com Futuro
Frederico Castro, aproveitando a presença de representantes das autarquias de Gondomar e de Viana do Castelo, referiu que “não há nem nunca haverá concorrência entre Póvoa de Lanhoso, Gondomar e Viana do Castelo. Somos um tripé fundamental na defesa da arte da filigrana e, sobretudo, na defesa do futuro que a filigrana tem para Portugal e para o mundo”.
O Presidente deixou ainda expresso o desejo de que os três municípios devem estar “de mãos dadas para defender esta arte”.
Referiu ainda que o passo seguinte, a assinatura do protocolo com a Casa da Moeda, permitirá “aos nossos artesãos dedicarem-se àquilo que realmente mais importa no dia a dia deles: a produção, a inovação e a formação”. Este passo evitará deslocações frequentes à Contrastaria do Porto, por vezes mais do que uma vez por semana.
“Devemos ir mais longe e tentar sempre fazer melhor. O que estamos a conseguir hoje era impensável há um ano. Ter um polo da contrastaria na Póvoa de Lanhoso foi uma miragem durante décadas e agora vai passar a ser realidade”, afirmou.
A finalizar, lançou um repto aos profissionais do setor:
“Desafiem-nos a fazer mais e melhor.”
O Presidente sublinhou ainda o valor emocional desta arte:
“A filigrana pode ser uma carreira para uns, uma oportunidade de negócio para outros, mas para a Póvoa de Lanhoso é algo de muito especial e muito diferente, porque faz parte do nosso ADN. Corre-nos nas veias. Tem que ver com aquilo que faziam os nossos pais, os nossos avós e bisavós. E isso é insubstituível. É único para nós.”
Após a cerimónia, que abriu com um momento musical do artista povoense David Silva, a comitiva seguiu para as instalações deste novo espaço, localizado no centro da vila.