Póvoa de Lanhoso celebra o Dia do Antigo Combatente e presta homenagem aos militares do concelho
A Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso e a Comissão dos Antigos Combatentes de Guerra associaram-se hoje, dia 9 de abril, para assinalar o Dia do Antigo Combatente. A cerimónia, que cumpriu a sua 13.ª edição, decorreu junto ao memorial no Parque do Pontido, que perpetua a memória dos 24 combatentes povoenses mortos na Guerra do Ultramar.
O evento contou com a presença de entidades civis e militares, ex-combatentes e familiares. A homenagem deste ano deu especial enfoque aos dois combatentes de Geraz do Minho que tombaram em batalha: António Barros da Silva e Manuel Gonçalves da Costa. O momento serviu ainda para tributar os povoenses que combateram na histórica Batalha de La Lys, em 1918, durante a Primeira Guerra Mundial.
Na sua intervenção, o Presidente da Câmara Municipal, Frederico Castro, afirmou: “Esta cerimónia marca, mais uma vez, uma data em que o concelho da Póvoa de Lanhoso reconhece, desde há muitos anos, o mérito, a dedicação e a entrega dos nossos ex-combatentes que partiram daqui para Angola, Guiné e Moçambique. Foram cerca de duas mil pessoas que, entre 1961 e 1974, embarcaram para o ultramar e levaram consigo o drama de abandonarem as famílias. Esse Portugal já está muito distante, é verdade, mas há uma coisa que nunca estará distante da Póvoa de Lanhoso: o dever de gratidão de todo um povo, de uma nação, aos nossos ex-combatentes.”
António Machado, representante dos ex-combatentes da Póvoa de Lanhoso, enfatizou o propósito do encontro: “Estamos aqui para prestar uma sentida homenagem aos nossos conterrâneos que deixaram a vida nas ex-províncias ultramarinas”. Na sua alocução, recordou com saudade o Marinheiro César Malaínho e lamentou a impossibilidade da presença do ex-Capitão António Carvalho por motivos de saúde. Terminou com uma palavra de alento às famílias e aos pais que perderam os seus filhos na guerra.
Também Agostinho Henriques, ex-combatente de Fafe, se dirigiu aos presentes, exortando à preservação da memória: “Existem certos momentos em que uma comunidade tem que parar, tem que olhar para trás, tem que escutar a voz dos que já partiram, e é para isso que estamos aqui. Não só para marcar esta data, mas também para prestar homenagem, para fazer justiça e para evitar que caia no esquecimento a memória dos nossos combatentes.”
Após a cerimónia central, os presentes seguiram para Geraz do Minho. O programa culminou com uma homenagem aos ex-combatentes sepultados no cemitério local e a celebração de uma missa em memória de todos os falecidos.