Póvoa de Lanhoso revive a Revolução da Maria da Fonte em Cortejo Histórico sem precedentes – participação de mais de 1000 figurantes
As ruas da Vila da Póvoa de Lanhoso transformaram-se, este domingo, num autêntico museu vivo. Num ambiente de enorme união e fervor cívico, o concelho celebrou as suas raízes com um grandioso cortejo histórico dedicado à Maria da Fonte, no ano em que se assinalam os 180 anos desta Revolução.
Com uma mobilização comunitária única, o cortejo, no qual participaram, pela primeira vez, todas as Freguesias e Uniões de Freguesia do concelho da Póvoa de Lanhoso, faz parte do programa das festas concelhias.
Mais de 1000 figurantes deram corpo e voz a 23 quadros históricos (desde a nomeação do Administrador do Concelho em 1842 até à vitória final na taberna), retratando a resistência popular contra as leis do “Liberalismo”, a contestação às novas regras de saúde pública e aos “enterramentos tumultuários”.
Também foi a primeira vez, desde que o Municipio organiza o cortejo que os quadros foram comentados ao mesmo tempo que decorria a transmissão através dos canais do Municipio. Paulo Freitas, historiador e especialista do Município na figura da Maria da Fonte e Coordenador do Centro de Interpretação Maria da Fonte, assumiu este papel, no qual foi ajudado por Raquel Silva.
A edição deste ano ficou, por isso, enriquecida com este carácter pedagógico, com a explicação e contextualização de cada quadro representado, bem como o contexto político e social de cada cena representada.
O cortejo, que circulou pelas artérias centrais da Vila culminou com uma encenação no Largo António Lopes — que à época da revolução era o emblemático Largo da Fonte. Foi neste cenário, onde outrora se situava a Taberna de Maria Luísa Balaio, que se recriou o espírito de vitória e a demissão do Administrador do Concelho, encerrando o evento com uma explosão de entusiasmo popular que contagiou todos os presentes que cantaram o Hino da Maria da Fonte.
Mais do que uma recriação histórica, o evento foi uma demonstração de força das gentes da Póvoa de Lanhoso. O espírito de colaboração entre as diferentes freguesias sublinhou a importância de manter viva a memória coletiva de um episódio que mudou o curso da história nacional.