Congresso “Maria da Fonte e Camilo”: Póvoa de Lanhoso celebra a memória, a literatura e a cidadania sob o Alto Patrocínio do Presidente da República
De 2 a 4 de dezembro de 2026, a Póvoa de Lanhoso vai ser o centro de reflexão sobre a história e o património cultural português com a realização do Congresso “Maria da Fonte e Camilo — (Re)leituras simbólicas de uma revolução”.
O evento ganha agora um especial relevo institucional depois de ter recebido o Alto Patrocínio de Sua Excelência o Presidente da República, uma distinção que consagra a dimensão nacional, histórica e científica desta iniciativa.
Um território de história e igualdade
A Revolução da Maria da Fonte (1846) foi um marco único na História de Portugal: uma revolta popular iniciada na Póvoa de Lanhoso, logo secundada pela região do Minho, encabeçada por mulheres que lutaram pela dignidade e pela justiça.
Esta “página dourada” da história local e nacional ganharia dimensão e simbolismo através da literatura, particularmente com a publicação, em 1885, do romance histórico A Maria da Fonte, da autoria de Camilo Castelo Branco que, na sua juventude, vivenciara de perto os tumultos da época.
Se após a Primeira República a figura da Maria da Fonte foi enaltecida e, mais tarde, remetida ao silêncio durante o Estado Novo, o pós-1974 devolveu-lhe a voz. A Póvoa de Lanhoso transformou-se de então para cá num território de memória, de liberdade e de cultura, e promove agora uma revisitação aos significados sociais, políticos e educativos deste legado.
3 Eixos fundamentais: História, Literatura e Educação
Para dar resposta aos desafios contemporâneos da divulgação científica e garantir um alargado alcance, o Congresso vai adotar um formato híbrido (presencial e online), reunindo e abrindo-se a investigadores, académicos, docentes e comunidade em geral.
O programa do congresso está estruturado em três eixos fundamentais: Histórico com a reinterpretação dos factos, do papel das mulheres e a validação historiográfica da Revolução de 1846, dando continuidade ao legado científico iniciado no congresso dos 150 Anos que se realizou em 1996.
Literário, com a junção da historiografia e do imaginário camiliano, analisando a forma como Camilo Castelo Branco imortalizou a revolta na sua obra.
Através da Educação foca-se a abordagem da Maria da Fonte nos programas curriculares e na transmissão dos valores de cidadania e igualdade que esta luta personifica para as novas gerações
Trinta anos após o congresso que marcou uma viragem no estudo académico da revolta da Maria da Fonte, a Póvoa de Lanhoso volta a abrir portas ao debate. Este evento promete ser um espaço de diálogo multidisciplinar sobre um dos episódios mais vibrantes da nossa história.
Envolvendo o Centro Interpretativo Maria da Fonte, o Instituto de Educação da Universidade do Minho e o Centro de Estudos Camilianos estão reunidos os especialistas nesta temática que virão, com toda a certeza, aportar valor à “Maria da Fonte”.